quinta-feira, 7 de junho de 2007

Sons

Diana Krall - Under My Skin
Letras

Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.

Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.

Eugénio de Andrade (19.01.1923 a 13.06.2005)

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Turismo rural
Muxima-Montes Ferreiros
Ajezur
Tel./Fax: 282995420
Tm.: 916012830 ou 917059969
www.muxima-montesferreiros.com

"No Muxima-Montes Ferreiros dormimos com pena de acabar, vontade de voltar, regresso quase marcado. Nas suas duas casas viajámos por destinos incomuns nos roteiros turísticos. Vida de campo e de mar a reservar já para as próximas férias grandes, ali ao lado de Aljezur e das praias Monte Clérigo, Amoreira e Arrifana, no melhor que a Costa Vicentina nos pode dar!

Muxima significa coração em Kimbundo, uma das principais línguas nativas de Angola. E que é também sinónimo de coração de mãe, de pai de um projecto, mais do que isso, de amigos do ambiente, de quem aparece, de uma força de estar, de fazer, juntar, de coragem para construir, reconstruir, persistir.
É palavra boa de dizer e de conhecer, vem de longe como tantos outros países distantes que desaguam neste turismo rural, mundo adaptado e destinado a juntar Portugal, Índia, Tailândia, Tunísia, México, Timor, Togo e Marrocos debaixo do mesmo tecto. Identidades tão próprias, tão étnicas nas suas diferenças, ao mesmo tempo tão culturalmente envolvidas entre si, e que marcam cada suite ou quarto dando-lhes o nome de locais desviados da rotas ditas turísticas.
Esteva, eucaliptos, sobreiros e até medronheiros juntam aromas que nos dão o melhor dos perfumes campestres, daqueles que vamos querer que a descendência vindoura sinta à primeira oportunidade. E que cresça sem ter medo de escaravelhos e bichos-de-conta, gafanhotos e louva-deus, da noite cá fora, de viver outras culturas e, sobretudo, de as experimentar!
No Muxima hão-de descobrir os chuveiros e as bicas marroquinos, os cestos de Timor, os pentes e os travessões africanos, panos tribais, esteiras de artesãos alentejanos, que se pode transformar em mesas portas e portadas que já perderem o seu uso, que os móveis dos bisavós com outra cara e pintalgados ficam o máximo, que as compotas caseiras são as melhores e que os bolos aos pequenos-almoços desta casa vêm de um forno de lenha!
Os exteriores são de um alentejanismo-algarvio puro e cru, imaculado, rigoroso: paredes brancas irregulares e caiadas, mourões largos e fortes como manda a sua função, portas e janelas e portadas de madeira quase tosca, a atipa aproveitada para o melhor dos isolamentos acústico e térmico, casas baixas, de um monte.
Lá dentro países de todo o mundo ditam tons e texturas: nas casas de banho chão e paredes afagadas coloridas por pigmentos quentes; em cima das camas imaculadas panos étnicos caem divinalmente sobre os édredons branquíssimos; o chão de madeira garante o conforto; e o tecto do mesmo material, esconso, lembra-nos mal abrimos os olhos pela manhã que acordamos no campo. E que campo, onde a fauna e flora genuínas nos poupam a floreados, sendo o que são e nada mais.
Das várias actividades e serviços disponíveis no Muxima, e de utilização gratuita, elegemos as bicicletas todo-o-terreno para percorrermos todos os trilhos ao longo dos seus 28 hectares de propriedade, o tiro com arco, o circuito de manutenção, o parque infantil "árvore das crianças" onde elas são mesmo felizes, o canil para que os nossos animais de estimação também possam ir de férias e a piscina biológica para os melhores mergulhos ao final do dia! E ainda ficámos a saber que, com marcação prévia, miúdos e graúdos podem aprender o melhor do surf. Mas o que mais gostámos de fazer em família, a repetir a qualquer altura do ano, foram os passeios pedestres nesta paisagem protegida ali mesmo pelos campos dos Montes Ferreiros onde nos cruzámos com um burrito amoroso, uma porquinha sociável e dois canitos (bem à moda dos dizeres alentejanos) realmente simpáticos, e pela beira-mar desta nossa Costa Vicentina de sempre."

In Revista Blue Living, n.º 44 - Abril 2007

terça-feira, 5 de junho de 2007

Tiralô na Praia de Carcavelos - Cascais tem “Praia para todos”

"Pelo sétimo ano consecutivo, a praia de Carcavelos recebe, a partir de dia 1 de Junho, o Programa Municipal "Praia para Todos", iniciativa que permite às pessoas com mobilidade condicionada ou com deficiência motora o acesso aos areais e a banhos de mar.
Esta iniciativa consiste na disponibilização gratuita de cadeiras especiais, denominadas “tiralôs”, especialmente concebidas para que a população com mobilidade condicionada usufrua de banhos de mar em total segurança e, assim, beneficie das potencialidades terapêuticas e lúdicas da praia.
Desde a sua implementação este programa já registou cerca de duas mil utilizações, o que demonstra o sucesso do “tiralô”.
As instituições interessadas em aceder ao “Praia para Todos” podem efectuar a sua inscrição pelo telefone 21 481 52 72 ou pelo fax 21481 29 56.
Os particulares podem obter informações complementares na própria praia ou pelo telefone 91 220 81 18 ou 91 929 46 79, ou ainda através do email dess@cm-cascais.pt.
O “tiralô” pode ser utilizado diariamente, incluindo fins-de-semana, das 09h30 às 13h00 e das 14 às 18 horas, de 1 de Junho a 15 de Setembro."

In site: http://www.cm-cascais.pt/Cascais/Noticias/tiralo.htm

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Os Miseráveis

"Nenhuma entrevista me persegue mais que uma conversa que tive em 1996 com uma camponesa cambojana chamada Nhem Yen. Ela tinha 40 anos, mas parecia mais velha, e vivia com a família numa aberta da selva cambojana. A área era conhecida pelos surtos de malária, mas a família era ambiciosa, industriosa e pensaram que o dinheiro que podiam fazer a cortar e a vender madeira valia o risco.
A filha mais velha de Nhem Yen, de 24 anos e grávida do segundo filho, rapidamente apanhou malária. Sem dinheiro para comprar os medicamentos (um tratamento efectivo custaria menos de 10$), ela morreu no dia a seguir ao parto. Nhem Yen ficou a tomar conta dos seus cinco filhos, mais os dois netos.
A família possuía um mosquiteiro com capacidade para três pessoas. Estas redes são efectivas contra a malária, mas custam 5$ e a Nhem Yen não podia custear mais. Assim, todas as noites ela agonizava na decisão de quais das crianças colocar no mosquiteiro e quais deixar de fora.
"É muito difícil decidir," ela disse-me. "Mas não temos dinheiro para comprar outro mosquiteiro. Não temos escolha."
Esta é a verdadeira face da pobreza: não tanto a dor da fome ou a humilhação dos trapos, mas a das escolhas impossíveis.

Início de um texto excelente: "Wretched of the Earth" de Nicholas D. Kristof no The New York Review of Books."
Tradução de Abrunho

In blogue: http://contemplamento.blogspot.com/2007/05/os-miserveis.html

Via Quinta do Sargaçal

domingo, 3 de junho de 2007

Hoje, a Beatriz, uma menina precoce, filha da minha vizinha, ao comer uma fatia do Bolo de Requeijão, sentada à secretária, em frente ao computador, diz: "Tens de dar-me a receita porque este bolo está muito bom."
Fiquei siderada, sem saber se devia rir ou ficar séria, perante este projecto a mulher de 5 anos! Mas como é que as crianças, actualmente, são tão adultas? Demasiados estímulos (televisão, computador, escola, infantário, actividades extras e sei lá que mais)?
As crianças precisam de ser crianças, não exigemos demasiado. Não queiramos que sejam super-inteligentes, sobredotadas, sobremimadas, maduras, responsáveis, bem comportadas, sossegadinhas...
Elas precisam do seu tempo, do seu espaço, do seu próprio ritmo, de crescer de acordo com o que tem e recebem, de se desenvolverem fazendo travessuras próprias da idade.
Aceitemos as nossas crianças como elas são e não façamos delas os nossos projectos adiados, negados, frustados. Que elas possam ser elas próprias e não uma segunda oportunidade dos pais, avós, família ou outros...
Ao aceitarmos as nossas crianças, sem expectativas que sejam aquilo que não conseguimos ser, estaremos a deixá-las livres para escolherem o seu próprio caminho, sempre com o nosso apoio e amor, e a construir um futuro mais risonho para a Humanidade.

Bolo de Requeijão à Moda de Viana do Alentejo
Autoria do Chefe António Nobre

Ingredientes
250 gr. de Requeijão
150 gr. de farinha de trigo (para bolos, já com fermento)
200 gr. de açúcar amarelo
50 gr. de margarina
4 ovos inteiros (à temperatura ambiente)
Raspa de 1 limão
1 colher chá de Canela em pó
Confecção
"Pré-aquecer o forno a 150º C.
Passar o requeijão pelo passador de rede.
Bater os ovos com o açúcar (durante 10 minutos).
Sem parar de bater, juntar a canela, a margarina, a raspa de limão e o requeijão (e bater mais 5 minutos).
Adicionar a farinha em "chuva" (quer dizer que a farinha junta-se, à mistura, passando por um passador, por forma a não criar grunhos, uma vez que não se utiliza a batedeira e só se mexe com uma colher de pau) envolvendo tudo, cuidadosamente, com uma colher de pau, até ficar homogéneo.
Colocar o preparado numa forma, untada com manteiga, polvilhada com farinha e forrada com papel vegetal.
Levar ao forno a 170º C durante 1 hora (mais ou menos), mas fazer o teste do palito para ver se está cozido."
Fica um bolo pequenino mas muito delicioso!

In site: http://www.gastronomias.com/doces/doce1055.htm

sábado, 2 de junho de 2007

As surpresas da semana

1 - Uma linda Sara a precisar de muito amor e de uma família: http://www.refugiodaspatinhas.org/adopcao/meninas/sara

2 - O Movimento Fórum Cidadania Lisboa divulga o ponto de situação sobre o processo do abate das árvores do Campo Pequeno: http://cidadanialx.blogspot.com/2007/05/jardim-do-campo-pequeno-ponto-de-situao.html

3 - Um Bolo de Caramelo e Noz (ingredientes que adoro!) para fazer em breve, ver a receita em: http://diariodacozinha.blogspot.com/2007/05/bolo-de-caramelo-e-noz.html

4 - O Sócrates envergonha-me... fecharam a Praça só para fazer a sua corrida! Presunção em demasia para ler em: http://portugaldospequeninos.blogspot.com/2007/05/coisas-de-czares.html e http://portugaldospequeninos.blogspot.com/2007/05/o-huis-clos-socrtico.html

5 - O Corta-fitas divulga uns divertidos Talluhismos em: http://members.aol.com/mstallbank/tallisms.htm

6 - Via Coisas ficamos a saber como reutilizar rolhas e fazer carimbos em: http://craftchi.com/blog/?p=323

7 - E também via Coisas descobrimos uma ideia muito original para ver em: http://blog.coolz0r.com/2007/05/23/the-cupboard-stairs/

8 - A Sara cria deslumbrantes Mini.hugs para ver em: http://www.flickr.com/photos/madewithlove/521609349/ e http://www.flickr.com/photos/madewithlove/521619743/

9 - A encantadora bola em tecido da Luísa em: http://luisalourenco.blogspot.com/2007/05/uma-bola-de-pentgonos.html

10 - Bonitos Mobiles para ver, e desejar ter, em: http://frazierandwing.com/mobiles

11 - Um artigo sobre a triste realidade de Portugal, para ler em: http://expressoemprego.clix.pt/scripts/Actueel/display-article.asp?ID=1745

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Um livro para os pais lerem às crianças

Com versos da cor da lua
és tão grande e pequenino
como esta página branca
em que leio o teu destino.
Dorme agora sossegado
como as nuvens à noitinha
que eu fico aqui a teu lado
com a tua mão na minha.
Com versos da cor da luz
é que eu embalo o teu sono
nessa cadência suave das cantigas de Outono.
E vêm bruxas e fadas, duendes e feiticeiras
com mantos feitos de bruma
para saltar fogueiras.

José Jorge Letria
In Versos para os Pais Lerem aos Filhos em Noites de Luar - Editora Âmbar, 2003
Informações sobre o livro em: http://www.terranova.pt/site/paginas.asp?tp=&acr=ra&idpag=632