Estava a andar por Lisboa e no cruzamento da Rua Pinheiro Chagas com a Rua Dr. António Cândido, reparei numa árvore diferente...
"Diferente" porque há muito deixou de ser árvore, no verdadeiro sentido da palavra, e foi cortada, mas (e sabendo do amor que o povo português nutre por elas, especialmente quando se trata de podas...) o cepo continua no mesmo local (e no mesmo passeio estão dois cepos, ambos sofreram igual fúria destruidora) e voltou a rebentar!
Fiquei sem reacção porque a ignorância, arrogância e malvadez humana são impressionantes. E quem faz esses actos são funcionários/técnicos (especializados?????) pertencentes ao departamento de ambiente e zonas verdes dos serviços camarários... Valha-nos Deus!
Essa "árvore" serve de local para alimentar alguma colónia de gatos, porque ao lado do seu tronco estão dois recipientes em plástico, um com água e outro vazio provavelmente para comida.
A zona é propícia à destruíção, porque nas duas esquinas do cruzamento existem dois magníficos exemplares de arquitectura antiga (tipo palacete, um deles com um jardim considerável) abandonados e com um cartaz mencionando que o processo se encontra em fase de licenciamento para restaurar (atenção, porque em Lisboa restaurar quer dizer destruir e fazer uma atrocidade...).
Fiquei ali algum tempo a contemplar tamanha tristeza e a pedir a Deus que salve este país, este povo, esta árvore (tenho cá para mim que Deus também ama muito as árvores)...
Voltarei a visitá-la (Esperança de seu nome!) para dizer que é uma heroína, que faz crescer a motivação/alento a todos os fracos e oprimidos desta sociedade corrupta, egoísta, incompetente, cruel e sem respeito pelos outros (quer sejam humanos, animais ou vegetais). Voltarei para dizer-lhe que admiro a sua nobreza de tentar resistir quando tem tudo e todos contra si... E que os seus braços estão quase a tocar o céu, para não desistir, porque um dia (tenho a certeza) ela cumprirá o seu sonho!
Emocionei-me e emociono-me por esta Esperança, porque também eu estou a tentar resistir e acreditar que um dia serei feliz.
Se tiverem tempo, vão visitá-la e aprendam uma grande lição de Vida.
Saint-Exupéry, "Cidadela", ed. Presença, trad. Ruy Belo