terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Cantora Lhasa de Sela morre aos 37 anos, vítima de cancro da mama

Fiume Nights - Montreal: Lhasa de Sela & Patrick Watson, April 2009
Concert Privé Lhasa - Rising - Bouffes du Nord

"A cantora Lhasa de Sela morreu no primeiro dia de 2010, pouco antes da meia-noite, vítima de cancro da mama.
A notícia, inicialmente desmentida pela editora da artista como um mero rumor, acaba de ser confirmada por várias fontes oficiais.
"Lhasa sucumbiu a uma luta de 21 meses, que encarou com força e determinação. Ao longo deste período difícil, continuou a tocar a vida daqueles em seu redor com as suas características graça, beleza e humor ", pode ler-se num comunicado.
Lhasa de Sela já estava doente quando gravou o seu último álbum, um trabalho homónimo que ainda chegou a apresentar ao vivo, antes de ter de cancelar todos os concertos, para não prejudicar os tratamentos a que estava a submeter-se. Os seus últimos concertos aconteceram em Maio, na Islândia.
No comunicado assinado pelo manager de Lhasa de Sela, escreve-se ainda que a autora de La Llorona deixa o companheiro Ryan, os pais, a madrasta, nove irmãos e irmãs, 16 sobrinhos e sobrinhas, um gato e "incontáveis amigos, músicos e colegas que a acompanharam ao longo da carreira, para não falar dos inúmeros admiradores em todo o mundo".
Lançados entre 1998 e 2009, os três álbuns de Lhasa - La Llorona , The Living Road e Lhasa - venderam cerca de um milhão de exemplares em todo o mundo.
Em Portugal, a "nómada" Lhasa de Sela, nascida nos Estados Unidos mas com profundas raizes no México e nos países francófonos, era uma artista de culto, tendo-se apresentado numerosas vezes nos palcos nacionais.
"A sua família e os seus amigos puderam fazer o luto pacificamente nos últimos dois dias. O funeral realiza-se em breve. Nevou mais de 40 horas em Montreal desde a partida de Lhasa", termina o comunicado.
Por seu turno, Vasco Sacramento, da promotora de espectáculo Sons em Trânsito, escreveu num emocionado comunicado que, das centenas de concertos com artistas estrangeiros que já organizou, "Lhasa de Sela foi claramente a que mais [o] marcou" .
"Não só pela sua voz única ou pela qualidade óbvia das suas canções e dos seus músicos, mas antes pela sua atitude desprendida e diferente do que é habitual assistir em muitos artistas", explica Vasco Sacramento. "Lhasa de Sela não estava interessada no estrelato, na fama ou no dinheiro. Não que quem aspire a isso seja menos válido. (...) Porém, a Lhasa era diferente. Parecia que cantava apenas por imperativo de consciência, sem grandes preocupações com estratégia de mercado. Daí apenas ter deixado três álbuns".
Vasco Sacramento lembra ainda a "inesquecível ligação" de Lhasa a Portugal : "Amava o fado, principalmente, claro, Amália, que cantou nos seus concertos em Portugal. Lembro-me das ovações em pé que a sua interpretação de 'Meu amor, Meu amor' lhe rendeu. Foi emocionante. Lhasa adorava Lisboa! Bairro Alto, Alfama, mas também Sintra, Coimbra, etc. Falava-me sempre do bacalhau que gostava de comer em Xabregas, quando cá estava. E o público português sempre lhe dedicou enorme afecto, esgotando todas as salas onde a Lhasa actuou no nosso país".
"Fora dos palcos, Lhasa de Sela era simples e densa. Simples no trato, na forma como lidava carinhosamente com todos. Densa pela profundidade e maturidade que revelava, provavelmente fruto do nomadismo que marcou toda a sua vida", acrescenta ainda Vasco Sacramento, terminando da seguinte forma a sua mensagem: "A Lhasa partiu como sempre viveu. Sem grandes alaridos. Partiu livre. Como sempre viveu" .
Também Rita Carmo, fotógrafa BLITZ, recorda Lhasa de Sela com saudade. "Adorável e muito tímida" é como Rita Carmo descreve a cantora que fotografou por duas vezes: em 2004, no decurso de uma entrevista para o então jornal BLITZ, e meses mais tarde no Jardim da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, numa das poucas sessões fotográficas que a sempre discreta Lhasa de Sela terá aceite protagonizar.
Nos últimos anos, vários músicos jovens têm lutado contra o cancro. As estrelas pop Kylie Minogue e Anastacia conseguiram vencer a mesma doença que matou Lhasa de Sela, ao passo que, em 2009, o músico português João Aguardela faleceu aos 39 anos, vítima de cancro do estômago."

In BLITZ

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