sábado, 17 de outubro de 2009

As surpresas da semana

1 - Pura e simples: uma das minhas casas preferidas (apenas colocava mais cor nas paredes, móveis e na decoração em geral).

2 - Plácido Domingo recebe o maior prémio de música clássica.

3 - Pina Bausch: Dançar é uma forma de amar.

4 - Em parceria com a Editora Saída de Emergência, o Cultura Online lança um novo desafio: responda às perguntas sobre «O Cônsul Desobediente», de Sónia Louro, e habilite-se a ganhar um exemplar deste novo livro (termina a 19 de Outubro 2009 às 24H00).

5 - Objectos espantosos no RE-foundobjects!

6 - Casamentos de Inverno: Truques para dar ao seu casamento a mesma temperatura de um dos dias mais quentes de Verão!

7 - Nespresso lança projecto de reciclagem de cápsulas.

8 - Em parceria com a Westrags, o Espaço Moda promove um passatempo cujo prémio é um vale de compras no valor de 100 euros para gastar na Westrag (o sorteio será dia 2 de Novembro 2009).

9 - Mais uma pequena contribuição minha: Porque, Tal Como Acontece Com a Árvore.

10 - Passatempo Pedro Moutinho: o MyGuide e a Uguru convidam-no a assistir ao concerto de Pedro Moutinho no dia 23 de Outubro pelas 22h, no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra (participe até 21 de Outubro 2009).

11 - Já estão abertas, até 21 de Outubro 2009, as candidaturas para o novo projecto no âmbito do Serviço Voluntário Europeu na SPEA. Os candidatos interessados no projecto “Communicating Birds III” (Março a Setembro 2010), darão apoio às acções Departamento de Sócios, Actividades e Educação Ambiental, nomeadamente na organização e planeamento do programa de actividades para os sócios.

12 - É uma nuvenstante da Fawn & Forest lindíssima!

13 - Mariana Roquette Teixeira, de 24 anos, venceu por unanimidade o Prémio Branquinho da Fonseca - Expresso/Gulbenkian 2009, na modalidade literatura para a infância, pela obra "O Pintor Desconhecido".

14 - Batalha mundial pela posse de terras agrícolas. Uma nova colonização ou uma oportunidade de desenvolvimento?

15 - O blogue Marcador de Livros, em conjunto com a Editorial Presença, tem para oferecer 3 exemplares do livro de Emily Brontë, "O Monte dos Vendavais".

16 - Biggest, Tallest Tree Photo Ever.

17 - Inscreve-te "Nos 75 Anos Anos Chiclets habilita-te ao sorteio de 75 prémios” e podes ganhar um fim-de-semana no Ice Hotel em Jukkasjarvi, na Suécia. E ainda 7 Playstations, 13 MP3's, 20 Pen's e 32 T-shirts. O sorteio realiza-se a 22 de Outubro, na Alameda da Universidade em Lisboa com a projecção dos resultados( ecrã no local e em directo no site).

18 - Finalmente, uma grande vitória: a nova lei proíbe a compra de uma vasta lista de animais para exibição nos circos. Famílias circenses preparam-se para a luta.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Parque Eólico Douro Sul ameaça Lobo Ibérico
Previsível extinção das únicas alcateias estáveis a Sul do Douro

"Lobo Ibérico, espécie protegida e ameaçada: O Lobo-ibérico tem uma população estimada de cerca de 2000 lobos, dos quais apenas 300 sobrevivem em Portugal. A população lupina em Portugal continua em declínio, encontrando-se actualmente confinada à região fronteiriça dos distritos de Viana do Castelo e Braga, algumas zonas de Trás-os-Montes e parte dos distritos de Aveiro, Viseu e Guarda. As causas do declínio do Lobo-ibérico são a sua perseguição directa, o extermínio das suas presas selvagens e a fragmentação e destruição do seu habitat.
O Lobo-ibérico é uma espécie prioritária para a conservação segundo a Directiva Habitats, da União Europeia, além de estar classificado em Portugal como espécie ‘em perigo de extinção’. A legislação nacional proíbe não só o abate e a captura de lobos, mas também a destruição ou deterioração do seu habitat e a sua perturbação, nomeadamente durante o período de reprodução.
Parque eólico e infra-estruturas associadas destroem habitat
O Parque Eólico do Douro Sul consiste na implantação de 103 aerogeradores para produção de energia eléctrica nas serras de Leomil e da Nave, abrangidas pelo concelho de Moimenta da Beira e concelho de Sernancelhe. O local previsto para a construção do empreendimento é actualmente bastante tranquilo e isolado no cimo das serras. A colocação dos aerogeradores, a construção e melhoria de acessos e a construção de linhas de alta tensão irão perturbar e destruir o habitat dos únicos grupos reprodutores estáveis de lobo em todo o núcleo populacional a Sul do rio Douro (actualmente estimado em não mais de 5 a 6 alcateias). Em particular, este Parque Eólico irá afectar mais de 60% do território de uma determinada alcateia (denominada Alcateia de Leomil), incluindo as suas zonas de reprodução e refúgio, pondo assim em causa não só a estabilidade reprodutora desta alcateia, mas também a manutenção e sobrevivência de toda população a sul do rio Douro que já se encontra isolada e bastante ameaçada de extinção.
Secretaria de Estado aprova projecto com parecer negativo do ICNB
No passado dia 6 Outubro a Secretaria de Estado do Ambiente publicou uma DIA (Declaração de Impacto Ambiental) favorável à instalação de um Parque Eólico que tinha tido diversos pareceres negativos, relacionados com a localização e dimensão do parque eólico e respectiva linha eléctrica. Dos diversos pareceres negativos, destaca-se o do ICNB (Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade), entidade pública responsável pela tutela da conservação da biodiversidade no nosso país, a qual admite que a construção deste parque eólico pode iniciar de ´forma irreversível´ o processo de extinção do lobo ibérico a sul do Douro.
Energia eólica sim, mas não à custa da Biodiversidade!
A Quercus é defensora das energias renováveis, mas não a qualquer custo, nomeadamente aumentando o perigo de extinção de espécies ameaçadas tão emblemáticas como o Lobo-ibérico. Nos últimos anos têm surgido diversos casos de conflitos relacionados com a localização de parques eólicos em Áreas protegidas ou em locais que afectam espécies ameaçadas.
Quercus formaliza queixa à União Europeia
Dada a gravidade desta situação, a Quercus vai formalizar uma queixa à União Europeia dado que considera que o Estado Português está a violar as directivas nacionais e europeias de protecção do Lobo-ibérico."

Lisboa, 16 de Outubro de 2009
A Direcção Nacional da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza
in site Quercus
120 Anos de Histórias do Caminho da Costa do Sol
A Linha que liga a Cidade à Praia
Exposição no Cais do Sodré
16 de Outubro a 31 de Dezembro, das 9h00 às 21h00
Visitas Guiadas na Linha de Cascais (marcações: 218170600)
www.cp.pt

clique na imagem para ampliar

"Inaugurado discretamente em 30 de Setembro de 1889, o ramal, que deveria ligar Cascais a Santa Apolónia, iniciou o seu serviço entre Pedrouços e Cascais aguardando pelas obras do porto de Lisboa, 1ª secção, para ligar-se à estação de Santa Apolónia - ligação que nunca se concretizou. A tracção eléctrica foi inaugurada em 1926, sendo então introduzido o material circulante de três portas e o sistema de “unidades múltiplas”. A adopção de soluções técnicas inovadoras como a frenagem e a engatagem automáticas, fazem da linha, nesta época, o paradigma da modernidade no tecido ferroviário português.
Viaje no tempo e venha conhecer toda a história de uma das linhas mais bonitas de Portugal. Da sua construção às fardas de outros tempos, do importante contributo para o crescimento da Costa do Estoril às primeiras viagens, vai adorar as histórias de uma das linhas com a melhor vista para o Oceano Atlântico.
No âmbito das comemorações dos 120 anos desta Linha, venha reviver a história através da Exposição patente na estação do Cais do Sodré, aberta ao público de 16 de Outubro até 20 de Dezembro de 2009 das 9h00 às 21h00."
In site CP

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Blog Action Day 2009

Recomendações Ambientais - Na rua

1. "A água é indispensável à existência da vida animal e vegetal. Deve-se evitar poluir a água, talvez começando por não deitar lixo para os rios, lagos e mares.
2. As embalagens de plástico e outro lixo que se deita ao mar matam, por ano, mais de 1000 animais marinhos. Por vezes estes ingerem-nos pensando que é comida. Não deixe lixo na praia.
3. Nunca deite lixo para o chão. Se for para o campo, praia ou andar de barco leve um recipiente para guardar o lixo. Se puder, apanhe algum lixo que esteja já nos diferentes locais quando aí chegou.
4. Não abandone linhas de pesca, sacos plásticos e garrafas de vidro, pois poderão causar ferimentos a animais.
5. Quando circular em qualquer meio de transporte, não deite qualquer tipo de lixo pela janela, mesmo que seja só um papelito. Muito menos despeje lixo fora dos contentores ou nas bermas das estradas.
6. Quando despejar lixo em caixotes ou contentores, prefira utilizar recipientes com tampa, para reduzir as hipóteses do lixo ser derramado e espalhado. O lixo espalhado atrai ratos, baratas e moscas, que podem funcionar como vectores de diversas doenças, para além de poluir visualamente.
7. Em dias em que não é efectuada a recolha de lixo, evite colocar o seu nos contentores, para que estes não transbordem e o lixo se espalhe.
8. O fundo de uma garrafa pode provocar um incêndio por fazer convergir os raios solares quando nele incidem. Não se devem abandonar garrafas no campo ou nas bermas das estradas.
9. Quando for às compras prefira sacos de papel ou lojas que os forneçam. No entanto o melhor será levar de casa um saco que lhe tenham dado noutra altura, pois a produção de sacos de papel é, também, causadora de perturbações ambientais.
10. Ao fazer compras, escolha produtos com embalagens de papel reciclado.
11. Prefira produtos verdes. O rótulo ecológico europeu é a garantia de que o produto causa poucos danos ambientais durante o seu ciclo de vida.
12. Muitas embalagens utilizadas nos supermercados e nas hamburguerias são feitas de poliestireno, um derivado do petróleo. Este material não pode ser reciclado e, quando queimado, liberta substâncias que destroem a camada de ozono.
13. Evite comer fast food, pois a maior parte das empresas são responsáveis pela produção de enormes quantidades de resíduos. Ao evitar este tipo de alimentos estará a contribuir para a redução do volume de resíduos.
14. Prefira alimentos biológicos, pois na sua produção são utilizados menos produtos químicos. Para a além de serem mais saudáveis, são menos ofensivos para o ambiente.
15. Prefira as embalagens de cartão às de plástico, por exemplo quando for comprar ovos.
16. Prefira os produtos com embalagens de tamanho familiar. As embalagens são responsáveis por cerca de metade do volume de lixo doméstico.
17. Dê preferência à utilização de refrigerantes em garrafas recicláveis.
18. Quando encontrar aros de plástico na praia corte-os ou, pelo menos ponha-os no lixo para não serem arrastados para o mar. Podem matar alguns animais marinhos.
19. Não liberte balões para o ar. Quando os comprar mantenha-os presos para não fugirem, porque podem ir parar ao mar e se algum animal pensa que é comida e os ingere pode morrer. 20. Quando passear numa floresta tenha muito cuidado com o que possa provocar um incêndio.
21. Os pesticidas e os fertilizantes químicos devem ser aplicados com muito cuidado e com as doses absolutamente necessárias para evitar a poluição do ambiente.
22. Quando levar o seu cão à rua remova as fezes, porque elas são geralmente portadoras de bactérias, vírus ou parasitas que podem contaminar as águas ou provocar doenças. Lembre-se que uma criança pode involuntariamente cair em cima de uma delas.
23. Quando comprar um jogo ou brinquedo verifique se é bem feito, de forma a durar bastante tempo, para que seja bem aproveitado. Lembre-se que um brinquedo só dura se colaborar e não o estragar.
24. Prefira as impressoras a jacto de tinta em relação às de laser, pois as primeiras usam menos 99% de energia durante a impressão.
25. Quando comprar um aparelho electrodoméstico, escolha o que gastar menos energia.
26. Se for possível, opte por um computador portátil. Este consome 1% da energia de um computador de secretária.
27. Ao comprar presentes ou objectos decorativos, certifique-se de que não são feitos de materiais extraídos de animais ou plantas em vias de extinção.
28. Não compre produtos feitos com madeira proveniente das florestas tropicais - pau-rosa, mogno, teca, ébano.
29. Não compre conchas nem corais, pois, ao fazê-lo, está a contribuir para a destruição dos recifes.
30. As folhas, os ramos, as ervas, o estrume e alguns lixos orgânicos podem ser aproveitados para fazer fertilizantes orgânicos, que ajudam a preservar o solo.
31. Quando for dispensável não utilize o carro para se deslocar.
32. Mantenha o carro afinado de forma a poupar combustível.
33. O líquido anticongelante usado no sistema de refrigeração dos automóveis é tóxico. Não deixe, por isso, pingos de anticongelante no chão.
34. Andar de bibicleta em vez de conduzir um automóvel poupa energia, reduz a poluição e contribui para o seu exercício físico.
35. Na praia, não colha nem pise as plantas que crescem nas dunas. O solo desnudado facilita a erosão, e o ataque de agentes atmosféricos, físicos ou químicos.
36. Ao visitar uma área protegida, não colha flores, não corte ramos nem faça inscrições nas árvores.
37. Quando for caçar, respeite os regulamentos sobre a caça.
38. Poupe combustível evitando a condução nervosa e as acelerações bruscas.
39. Adira à iniciativa do Dia Sem Carros.
40. Partilhe a utilização do seu automóvel.
41. Mantenha os pneus com a pressão correcta, evitando o seu desgaste prematuro."

In site Naturlink

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Seja Feliz

"Afinal, o que nos faz cantar o coração? E porque é que algumas pessoas são mais felizes do que outras? Conheça os meandros da felicidade e a relação desta com o amor, os filhos, a amizade, a religião, o dinheiro, a beleza, a idade. E descubra o que pode fazer para se sentir mais feliz.

Diz-se optimista, persistente e feliz com as pequenas coisas do dia-a-dia. “Um passeio à beira-mar com o meu cão, em pleno Inverno, pode ser de uma grande leveza – sinto-me feliz por ter esses momentos só para mim. Da mesma forma que me preenche totalmente estar com os amigos e a família”, comenta Maria Gonçalves M., de 40 anos.
O esforço de Paula C., de 35 anos, é visível. O movimento dos olhos denuncia uma viagem no tempo, oito a 10 horas revisitadas numa fracção de segundos, à procura do que a fez realmente feliz nesse dia. Surpreendida com o simples exercício, com o que encontrou, ou melhor, não encontrou, admite: “Não vejo nada que se encaixe nessa categoria, não houve nada assim de tão extraordinário…”
Poucos assuntos centram mais a atenção do ser humano do que este da felicidade. Sendo difícil de definir – ou, pelo menos, há muitas maneiras de o fazer –, ninguém tem contudo dificuldade em dizer se é ou não feliz e em que circunstâncias concretas é que isso acontece. Uns admitem já terem “chegado lá”, vivem momentos de grande felicidade sozinhos ou com a família e os amigos, por exemplo. Outros dizem que continuam à procura, como se se tratasse da procura do Santo Graal. Os especialistas asseguram que é bem mais fácil encontrar a felicidade do que o símbolo da cristandade, porque ela está muito perto de cada um de nós. Já faz parte da nossa vida.
A ciência da felicidade é uma ciência da pessoa. Experimentando, errando, e tentando de novo, cada um de nós descobre aquilo que o ajuda a viver e a sentir-se bem”, escrevem Francesco Cavalli Sforza e Luigi Luca Cavalli Sforza, no livro Os Caminhos da Felicidade (Editorial Presença).
Daniel Gilbert, psicólogo, professor da Universidade de Harvard e autor do livro Tropeçar na Felicidade (Estrela Polar), descreve a felicidade como “um estado emocional subjectivo” que é claramente identificado pelas pessoas, tanto quando estão dentro como fora dessa experiência. “A felicidade emocional é uma frase que define um sentimento, uma experiência, um estado subjectivo e por isso não tem um referente objectivo no mundo físico.”
Uma das definições mais consensuais sobre felicidade “tem precisamente a ver com a ideia de bem-estar subjectivo, isto é, como é que cada um avalia subjectivamente a sua relação com a vida”, observa a psicóloga Helena Marujo, professora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, especialista em Optimismo e Felicidade. “A maior parte dos instrumentos de avaliação da felicidade centram-se actualmente nesta ideia do quanto cada um está satisfeito ou feliz em relação a um ideal de vida.” Na prática, as pessoas são convidadas a responder “o quanto se sentem felizes com a vida que têm, tendo em conta o que gostariam de ter”.
Quando o tema é felicidade, há um certo consenso no seio da comunidade científica de que o que realmente importa é a forma como cada um se sente relativamente ao que tem. O psicólogo e sociólogo Ruut Veenhoven, professor da Universidade Erasmus em Roterdão, na Holanda, e um dos primeiros autores de publicações no campo da felicidade, define-a como “o quanto cada um gosta da vida que tem”. Razão pela qual, diz, “as pessoas podem viver no paraíso e mesmo assim serem infelizes e deitar tudo a perder”.
Mas se há teses dentro do estudo da felicidade que defendem que só é possível avaliar a felicidade subjectivamente, há autores, nomeadamente o Prémio Nobel da Economia Daniel Kahneman, que asseguram podermos ir mais além, medindo este sentimento objectivamente. Para o efeito, “é pedido às pessoas no momento, e em múltiplos momentos, que descrevam o que estão a sentir”, explica Helena Marujo.
A felicidade não é estática, “são momentos”, como defende a especialista portuguesa. Por isso, até mesmo as pessoas que se dizem mais felizes têm os seus momentos menos bons, ao contrário do que por vezes se julga ou se quer fazer acreditar. É que, actualmente, existe uma certa pressão social para nos mantermos risonhos e felizes o tempo inteiro, como se o desalento não fizesse, ou melhor, não pudesse fazer parte dos nossos dias. Outro sinal do nosso tempo “é perseguir, andar constantemente à procura da felicidade”, comenta Helena Marujo, lembrando que “procurar e construir” a felicidade são duas coisas completamente diferentes.
Uma coisa é continuar com a ideia de que “falta sempre alguma coisa para se poder ser feliz, e, portanto, nunca se é. E a outra é perceber, ter consciência de que a felicidade se desenvolve, constrói-se, investe-se. Investe-se e é preciso investir a cada momento, saboreando o que se está a viver no presente, no agora”, porque não se sabe o que vai acontecer a seguir.
A primeira é um processo que, de alguma maneira, “tem por base uma permanente insatisfação” e, como recorda, está presente em algumas culturas, nomeadamente a americana. A segunda é o lema dos países do mundo com maiores níveis de felicidade, “como, por exemplo, a Islândia”. Neste país do Norte da Europa, “as pessoas falam muito da tal experiência dos momentos, da ideia de uma felicidade que se vai construindo aqui e agora nas pequenas coisas”.
Procurar este sentido para a vida parece ter as suas vantagens. “Há uma associação entre a felicidade e as emoções positivas que, por sua vez, se sabe que estão ligadas à saúde e longevidade”, diz Helena Marujo. As pessoas mais felizes vivem mais tempo.
As características comuns às pessoas que consideramos felizes, segundo vários estudos de Martin Seligman, autor da obra de referência Authentic Happiness (Paperback) – Felicidade Autêntica –, resumem-se assim: são amadas pelos outros, são mais tolerantes e também mais criativas. Têm em comum hábitos de vida mais saudáveis, tensão arterial mais baixa e sistema imunológico mais resistente do que as pessoas infelizes.
Martin Seligman defende que a felicidade é feita de três componentes. Um deles, a que chama set point e que é uma espécie de nível basal, representa 50 por cento e tem influência genética – é único a cada pessoa. Os outros 50 por cento encontram-se divididos. O que nos acontece, as nossas experiências, que é o mesmo que dizer “as circunstâncias da vida” apenas influenciam em 10 por cento os nossos níveis de felicidade. O resto, os 40 por cento, é “comportamento voluntário”. Ora é precisamente neste espaço de liberdade que é possível mudar a nossa história, assegura o psicólogo. “Apesar de um indivíduo nascer com uma predisposição para a ansiedade ou a melancolia, se treinar, é possível vir a desenvolver uma atitude mais feliz”, afirma também o neurocientista Richard J. Davidson, mais um dos nomes ligados ao estudo da felicidade.
Helena Marujo partilha a tese de Seligman, de que é possível mudar o rumo da nossa felicidade através do “comportamento voluntário”, agindo. A prática contínua de determinados exercícios tem-se revelado muito eficaz em termos do aumento dos níveis de felicidade subjectiva das pessoas.
O exercício das três bênçãos ou dos três acontecimentos positivos, por exemplo, “que é a pessoa chegar ao final do dia e identificar três coisas boas que lhe tenham acontecido, que a tenham feito sentir-se abençoada”, é um deles. “Voltamos à ideia do momento, do apreciar e saborear o momento”, esclarece, sublinhando que esta capacidade de gratidão em relação à experiência, de parar para reconhecer o que é bom e nos gratificarmos com isso, é um elemento central nos programas de desenvolvimento da felicidade praticados actualmente um pouco por todo o mundo.
Mas se a vida das pessoas for tão complicada que se torna difícil vislumbrar alguma bênção? Helena Marujo diz que é muito raro isso acontecer. As pessoas encontram sempre alguma coisa, por mais pequena que seja, “e apesar de tudo”. Por exemplo, “de ter gostado do beijo que a filha lhe deu logo de manhã ou de uma mensagem que lhe deixaram no telemóvel”.
Segundo a especialista, uma das abordagens mais significativas neste momento, na construção da felicidade, é precisamente a do mind fullness. “É levar as pessoas a viverem o momento, a terem uma capacidade de relação com o momento de grande intensidade, porque não sabem o que lhes vai acontecer a seguir. Se calhar, também lhes aconteceram coisas desagradáveis no passado, mas têm de decidir se querem viver agarradas a esse passado doloroso e ficar com medo do futuro ou se, pelo contrário, este é o momento que têm e vão aproveitar. A mente fica cheia da experiência que se está a viver, que é aproveitada e sentida.”
Escrever uma carta de gratidão a alguém a quem se tenha alguma coisa a agradecer e que ainda esteja viva, de preferência ler a carta a essa pessoa, é outro dos exercícios que se tem mostrado eficaz para a felicidade. “Trata-se de trabalhar a questão de estarmos gratos pelo que temos, em vez de estarmos sempre à procura do que não temos”, diz, explicando que este exercício é feito inclusivamente com populações de pobreza.
Até mesmo porque ter dinheiro não é um seguro de felicidade eterna. Pelo menos é o que garantem os especialistas. Embora as pessoas pobres sejam mais infelizes do que as ricas, a partir do momento em que são atingidas as necessidades básicas, a ligação entre as duas desaparece. Ou seja, o índice de felicidade volta ao normal. Experiências levadas a cabo com pessoas que tinham ganho a lotaria comprovam claramente esta teoria. No seu livro Tropeçar na Felicidade (Estrela Polar), o psicólogo Daniel Gilbert escreve: “A riqueza aumenta a felicidade humana quando tira as pessoas da pobreza mais abjecta e as coloca na classe média, mas pouco faz para aumentar a felicidade a partir daí.”
O mesmo se aplica à beleza física que, podendo trazer as suas vantagens, exerce pouquíssimo efeito sobre a felicidade, como defende Martin Seligman. “Ser belo, atraente, agradar aos outros é algo que ajuda mas não é determinante. O mais importante é agradar si mesmo”, comentam Francesco Cavalli Sforza e Luigi Luca Cavalli Sforza em Os Caminhos da Felicidade (Presença), defendendo que “consegue ser feliz quem desenvolve uma boa relação consigo mesmo”.
Apesar de os pais reclamarem que os filhos os fazem mais felizes, os especialistas defendem tratar-se de mais uma falsa crença. Daniel Gilbert escreve: “Quando se pede às pessoas que identifiquem as suas fontes de alegria, elas fazem o que eu faço: apontam os filhos. No entanto, se medirmos a real satisfação das pessoas que têm filhos, revela-se uma história muito diferente. (…) Estudos cuidadosos sobre como as mulheres se sentem nas suas actividades diárias mostram que elas são menos felizes quando cuidam dos filhos do que quando comem , fazem exercício, vão às compras, dormem a sesta ou vêem televisão.”
No que respeita à distribuição da felicidade por género, parece não haver grande diferença entre homens e mulheres. “Há uma tendência para que as mulheres sejam simultaneamente mais infelizes, porque deprimem mais, mas também quando são mais felizes, são mais felizes”, comenta Helena Marujo.
A diferença em termos de idade é bem mais relevante, verificando-se que as pessoas são mais felizes quando são mais velhas. A especialista diz que a explicação poderá ficar a dever-se ao facto de estas pessoas terem encontrado o “sentido para a vida nas pequenas coisas”. O que, às vezes, em determinadas alturas da vida, “é mais complicado fazer, apesar de se ser mais jovem, pois também se está mais perdido”. Concretamente na adolescência, altura em que os níveis de felicidade baixam drasticamente. “A incerteza gera infelicidade.”
Quanto ao impacto do amor e da amizade nos níveis de felicidade, não há qualquer dúvida: uns e outros contribuem para nos fazer cantar o coração. A amizade, as relações familiares e a conjugal, em especial o casamento – os resultados não são os mesmos para as relações maritais, o que segundo alguns autores terá a ver com o grau de compromisso que é menor, neste caso –, contribuem para a nossa felicidade. “A relação de amizade funciona como elemento central na medida em que é partilha, sabe-se que existe apoio”, diz a especialista. “Somos seres sociais e, portanto, qualquer experiência de isolamento é uma experiência de sofrimento.”
A religião é outro indicador significativo de felicidade – alguns autores acreditam que pelo processo espiritual em si. Outros argumentam com o facto de as pessoas que comungam uma religião ou investem na espiritualidade estarem “inseridas numa rede social e, logo, usufruírem do apoio social”, sendo precisamente este aspecto gerador de bem-estar e felicidade.
No balanço do que nos faz ou não feliz, sabe-se também que existe uma correlação directa entre a felicidade e o optimismo e a extroversão. Tanto pode ser causa como efeito. Também não existem dúvidas de que a realização profissional tem um papel importante nos nossos níveis de felicidade.
O Sol parece não exercer grande influência no nosso rácio de felicidade, embora existam estudos que demonstram claramente que a luz é essencial ao nosso bem-estar. De outra forma, como se explicaria que Portugal, com os seus dias soalheiros, tenha uma pontuação tão desfavorável?
Em termos de indicadores, na base de dados mundiais sobre a felicidade, Portugal tende a estar abaixo das médias europeias que são de 6.75, numa escala de 0 a 10. Mas, segundo Helena Marujo, está muito pior situado quando se trata de indicadores de pessimismo. “Tudo o que tenha a ver com expectativas em relação ao futuro – a vontade de caminhar para o futuro implica obrigatoriamente uma imagem positiva do que está para vir –, no quadro europeu, estamos sempre no último ou penúltimo país da lista da Eurostat.” Seja como for, a nível mundial, o número de pessoas que se auto-apresenta como infeliz é reduzido, garante a especialista.
Seja como for, baseando-se na sua vasta experiência em cursos de formação na área do optimismo e da felicidade, Helena Marujo assegura que os portugueses estão a mudar. “As pessoas estão cansadas de estarem sempre a ser dramáticas, a serem vítimas.” Estão a ultrapassar o legado cultural da saudade e do fado, cada dia mais empenhadas em investir nas emoções positivas, cultivando o optimismo e a esperança, tentando ser feliz. Apesar de tudo."

Por Júlia Serrão
In
Máxima

terça-feira, 13 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Lista Vermelha de Peixes
www.greenpeace.org/portugal/lista-vermelha

Porquê uma lista vermelha?
"A situação dos mares e oceanos do planeta é grave. Tem que haver mudança já!

- ¾ dos stocks de peixe do mundo estão totalmente explorados, sobreexplorados ou esgotados; - 88% dos stocks de peixe em águas comunitárias estão sobreexplorados.
- 90% das populações dos grandes peixes predadores (como o atum, o bacalhau e o peixe espada) estão esgotadas.

Actualmente só 1% dos oceanos e mares do mundo estão totalmente protegidos, uma percentagem ridícula quando comparada com os espaços naturais protegidos em terra (11%).

Que pede a Greenpeace?
A Greenpeace pede aos principais distribuidores que só disponibilizem produtos do mar que tenham sido obtidos de forma sustentável e que possam garantir que esses produtos não estão ligados a práticas destrutivas.
A Greenpeace pede aos consumidores que exijam aos supermercados que desenvolvam uma política sustentável de compra de produtos do mar e que evitem consumir as espécies mencionadas nesta lista vermelha."

In site Greenpeace

domingo, 11 de outubro de 2009

As imagens da semana

Como não podia deixar de ser, também participei na semana das comemorações do 10º aniversário da morte da Amália.
Fomos ver a exposição "Amália - Coração Independente", que está em dois locais: Museu Colecção Berardo e no Museu da Electricidade (ambos com entrada gratuita).
A mostra no Museu Berardo está melhor concebida, quer na distribuição de peças/espaço e informações, quer nos extras à exposição.
E assim, ficamos a conhecer um pouco mais da maior Mulher-VOZ do Fado português.
Boa semana.