sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Letras

Esta página branca
carregada de dias
de horas, de tempos,
escuto-a baixinho dizendo
os sons das letras.
Estas letras pregadas nos pulsos
de quem vibra por elas.
Não escrevem a cor dos livros
que guardo dentro de mim.
Estão ligadas ao ventre
da Terra.
Saltam de papel em papel
procuram outras coisas
mas não sabem quais.
Vejo-as pinceladas
nos muros do rio
nas paredes das casas.
Estão fechadas pela força
das correntes
pesadas de frio metal.
Estão presas de si,
presas de falar, de gritar
de escorrerem para o chão
das nossas vidas.
Estão sozinhas,
imensas
e sós.

Maria Lua (29/10/2006)

2 comentários:

mjoão disse...

Um beijinho enorme!

Hão-de vir páginas de coisas boas, para escreveres sobre tudo aquilo que te preenche depois do vazio, vazio esse que passa e desaparece...

O poema é muito bonito!

Maria Lua disse...

Obrigado MJoão!
E Boas festas e muitos beijinhos. Que o Novo Ano te traga o melhor do mundo e que sejas imensamente feliz!
Quanto ao vazio, é bom que exista de vez em quando para nos encontrarmos connosco próprios e na altura queescrevi este poema - 2006 - tinha um camião de vazio dentro de mim! Agora só tenho um carrinho de mão.... O que é muito mais confortável!
:-)