quarta-feira, 7 de maio de 2008

Princesa saudita compra 1.500 peças de cortiça para palácio

"Uma princesa da Arábia Saudita recebeu esta semana no seu palácio em Riade, capital daquele reino, 110 quilos de cortiça algarvia transformada em individuais para dar jantares aos convidados. Os table-mate exclusivos lançaram a empresa portuguesa no mundo árabe.O museu da cortiça em Silves e um português a viver em Paris, que por coincidência é secretário pessoal da princesa Jawaher Abdulaziz, foram os principais aliados para que a marca portuguesa Pelcor inaugurasse a aventura da exportação para o Médio Oriente.
A história começou em 2007 quando a princesa Jawaher Abdulaziz, que «gosta muito de Portugal», esteve de visita à Fábrica do Inglês, em Silves, onde existe um museu da cortiça e onde estão expostos produtos Pelcor, marca que transforma a casca do sobreiro em acessórios de moda luxuosos que desfilam nas passerelles de Paris.
«Em Agosto passado recebemos a visita surpresa de uma assistente da princesa Jawaher na loja de São Brás de Alportel. Em Novembro, o secretário da princesa em Paris pediu-nos catálogos sobre as colecções da Pelcor e a partir daqui começou o negócio», recorda Sandra Correia, mentora da marca e filha do proprietário da empresa que também fabrica rolhas para os mais finos champanhes, licores e vinhos do mundo. Fez-se um mostruário que seguiu para Riade e a encomenda da princesa chegou em Fevereiro: 1.500 table-mates (individuais) feitos em pele de cortiça impermeável, com funcho e salpicos de dourado a imitar ouro.
Em Março, artesãos portugueses já confeccionavam as mil e quinhentas peças, exclusivas, para o Reino da Arábia Saudita. Esta semana os individuais foram armazenados em cinco caixas, com medidas especiais, e partiram de São Brás com destino a Riade, contou Sandra Correia, a senhora da cortiça, que não se cansa de repetir à Lusa que "cork is fashion" (a cortiça está na moda).
Os 1.500 table-mates, ou seja individuais para colocar nas mesas e colocar por cima os pratos e talheres, são o início da aventura no Médio Oriente, mas depois de conquistar os mercados europeus e até o americano, e depois de se lançar na alta-costura a desfilar junto a criadores de moda internacionais no Prêt-à-Porter, em Paris, a marca Pelcor tem a ambição de vencer o mercado da Arábia Saudita e Emirados Árabes.
Com um volume de negócios em ascensão, onde em 2007 superou o meio milhão de euros em 2006, a «senhora da cortiça» espera que em 2008 aumente um terço da exportação, e a aposta é no mercado do Médio Oriente.
A marca Pelcor já se está a preparar, inclusivamente, para participar em Fevereiro de 2009 na feira «Expo Riva Garda», no Dubai (Emirados Árabes) com a gama «footwear» (calçado) e acessórios de moda.
Em Março de 2009 acessórios de moda e brindes de cortiça regressam ao Dubai para apresentar a cortiça da Pelcor na maior feira de acessórios de moda daquele país, a Motexha.
Malas executivas, carteiras de homem e de mulher ou bonés específicos para os jogadores de golfe e corridas de cavalos (dois desportos muito praticados nos Emirados Árabes) são alguns dos acessórios que a Pelcor vai levar ao Médio Oriente. O toque aveludado, a impermeabilidade e o facto de ser um produto ecológico são as principais características das peças feitas em cortiça que podem ir desde a carteira de negócios a mochilas em pvc com pedaços de casca de sobreiro injectado, até a elegantes chapéus-de-chuva resistentes à água e luxuosos pufes para tornar a sala mais cosy.
Sandra Correia revelou à Agência Lusa que a novidade para a estação deste Verão são as sandálias em cortiça desenhadas pela consagrada estilista portuguesa Ana Salazar. É uma espécie de conto das mil e uma noites a tornar-se realidade para uma pequena empresa portuguesa que se abriu ao mundo árabe através da mais fina pele da cortiça."

Diário Digital / Lusa
In site Caixa Geral Depósitos

terça-feira, 6 de maio de 2008

O Estado da Nação

"Há dias, um casal estrangeiro meu amigo, que tinha acabado de conhecer a A-2 e a A-6 num dia de semana, comentava comigo que nunca, em lado algum, tinha visto auto-estradas tão boas e tão desertas, ao que eu respondi que nós éramos um país bem mais rico do que as estatísticas económicas mostravam: um terço da população activa, com crise ou sem ela, viaja compulsivamente para destinos exóticos distantes, no Verão, no Natal e na Páscoa; temos 1,5 fogos por habitante e continuamos desenfreadamente a construir segundas habitações no que resta de litoral ou interior ainda disponível; temos mais de um automóvel por habitante; e temos auto-estradas para todo o lado e algumas sem portagens, que fazem corar de inveja esses casos de sucesso económico sem auto-estradas nem TGV que são a Irlanda, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca."

Miguel Sousa Tavares, Jornal Expresso
In blogue Corta-Fitas

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O JARDIM (post repetido)
A Respiração da Cidade
Sala do Veado - Museu de Ciência e História Natural
Rua da Escola Politécnica, 58 - Lisboa
Inauguração 7 Maio 2008, entre as 18h e 23h00
8 a 31 de Maio 2008
Terça a sexta das 10h às 17h00
Sábados e domingos das 11h às 18h00
E-mail: Exhibition.OJardim@gmail.com
http://flourishingart.blogspot.com

"Temos o prazer de anunciar a exposição de arte “O Jardim”, apresentando pinturas, fotografias e desenhos recentes de quatro artistas europeus: Rebecca Rason Flor Ferreira, Heather Taylor, Bartha de Kok e Richard Hartnoll.
A exposição “O Jardim” é inspirada pelo Jardim Botânico da Universidade de Lisboa e apresenta as experiências individuais dos artistas e o seu trabalho sobre o jardim e comunica de forma colectiva a sua percepção de luz, linha, textura e ambiente.
Os trabalhos apresentados sublinham a beleza deste espaço escondido e o fascínio causado pela Natureza, que se renova energicamente neste microclima único rodeado pela paisagem urbana da capital portuguesa.
O trabalho desenvolvido sobre o Jardim Botânico levou a uma compreensão profunda da sua importância para Lisboa, do seu notável valor histórico, do seu significado ambiental e da sua contribuição para a Ciência e a Educação, podendo também o ponto fulcral de “O Jardim” ser apreciado em relação às actuais e bastante reais preocupações acerca das alterações climáticas e a constante ameaça dos espaços verdes urbanos.
Este ano, o Jardim Botânico celebra o 130º aniversário da sua inauguração e, pelo seu papel na conservação das espécies botânicas, muitas delas antigas e raras, que nele florescem continua e continuará a possuir um poder de inspiração sem limites.
Inauguração no dia 7 de Maio de 2008, entre as 18h00 e as 23h00, na Sala do Veado do Museu de Ciência e História Natural, Lisboa e estará patente ao público até ao dia 31 de Maio, de terça a sexta das 10h às 17h00; sábados e domingos das 11h às 18h00."

domingo, 4 de maio de 2008

As imagens da semana

Favas, favas e mais favas!
Muito boas, tenrinhas, biológicas e valorizadas por quem semeou, sachou, regou e apanhou (desta vez, toda a família participou ou quase...).
Para comer em casa, dar à família e amigos, e guardar para mais tarde.
Sabe tão bem comer e oferecer o que plantamos, cuidamos e colhemos!
A felicidade também passa por estas simples e belas coisas.


Uma combinação bonita: favas e papoilas.

A apanha!

Mão-de-obra gratuita!

Em duas semanas, duas apanhas: 4 sacas de rede de favas bem cheias...

Até a Nina ajudou, saltando sem parar e ladrando para nos motivar!

e ainda sobra para os ladrões de legumes, que também vêm recolher o seu quinhão...
Nada a fazer, faz parte da vida no campo!

Esta foi a rainha das favas deste ano!

Também funcionou como campo para jogar...

E para descobrir...

que estavam 3 salamandras no tanque!

Apanhamos flores...

corremos em liberdade...

e procuramos medronhos.

Tal pai investigador...

tal filho!

"Diz a Agustina que as pessoas que amam os cães são as mais egoístas sobre a terra. E ela gosta de cães. Porque os cães são uns mestres de zelar pelo que é teu, a família, os bens, as emoções profundas, mesmo quando tu te desleixas ou adoeces? Lobo da decência e da perseverança, o cão. Causa amante, contra toda a evidência, um cão. Ars longa, vita brevis. Sobretudo a dos cães. Tenho medo de quem tem medo de cães."
Maria Velho da Costa, in Livro do Meio

sábado, 3 de maio de 2008

As surpresas da semana

1 - Um poema muito bonito.

2 - Um passeio a não perder e outro que as crianças vão adorar!

3 - Uma receita a experimentar.

4 - Cores e espaço.

5 - Um blogue para espreitar, com belas fotografias.

6 - Já se conseguiu mais de 4 mil assinaturas na petição da Linha do Tua, garantindo assim que a petição é discutida no plenário da Assembleia da República!

7 - As minhas palavras aqui.

8 - Um blogue fantástico sobre orquídeas dos campos!

9 - Depois de 10 anos a utilizar os meus muito amados e únicos ténis Reebok, chegou a altura de comprar outros (porque já estão gastos, descolados e sem quase nenhuma protecção), mas isso não é tarefa fácil, nomeadamente para quem faz corrida. E para perceberem a complexidade da compra informem-se aqui ou neste.

10 - Um dos meus heróis (apesar de uma ou outra discordância, mantenho o mesmo sentimento à 16 anos).

11 - Lindo, lindo!
Convite

Mais informações no blogue Beijos de Algodão

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ser voluntário das Nações Unidas On-line
http://www.onlinevolunteering.org

"Quantos de nós já se sentiram dispostos a partir para África num programa de voluntariado, a dar um pouco de si para fazer a diferença, por pequena que seja, no estado do mundo?
Quantos de nós não afastaram a ideia e não adiaram um eventual contributo por não ser a altura certa, por não ter dinheiro, por ter uma carreira profissional a defender ou simplesmente por não saber muito bem o que fazer?
As Nações Unidas pensaram nas pessoas que estão nessa situação e inventaram uma maneira de facilitar as coisas, ao criar um serviço de voluntariado on-line. Sentados em casa ao computador, e tirando partido dos nossos conhecimentos, podemos apoiar o trabalho de organizações do mundo inteiro emprestando apenas umas horas do nosso tempo, conforme a disponibilidade de cada um.
Através deste mecanismo, as pequenas organizações de desenvolvimento, ambiente, combate à pobreza, etc. (e mesmo a própria ONU) podem ter acesso ao trabalho e consultoria especializada de profissionais qualificados, aos quais muitas vezes não teriam capacidade para pagar. Ao mesmo tempo, podemos tomar contacto com diversas equipas e ambientes de trabalho, ganhar experiência e contactos.
Eu rendi-me a esta forma inteligente de prestar um contributo, por mais insignificante que seja. Apenas me candidatei a dois projectos até agora por estar a braços com a dissertação de mestrado, que tenho de entregar nos próximos meses, mas assim que terminar vou entrar em força neste programa.
Aqui fica a sugestão para quem ainda não conhecia: http://www.onlinevolunteering.org
É muito fácil: basta registarem-se e pesquisar os projectos de acordo com o vosso perfil de conhecimentos, formação, experiência, idiomas, etc."

Carla Gomes
In site Vamos Mudar o Mundo

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Quinta-feira da Espiga


Este dia (a Ascensão) ocorre cerca de quarenta dias depois da Páscoa e é sempre a uma quinta-feira.


Dizia-se nas aldeias do sopé da Serra do Montejunto que “na quinta-feira de espiga há uma hora em que os pássaros não vão aos ninhos(...)”. Em Atouguia “o leite não se vende, todo ele é dado”. Noutras localidades “não se faz pão em quinta-feira de espiga” e noutras tantas coze-se nesse dia pão “para guardar o ano inteiro”.


Tradicionalmente, de manhã cedo, as pessoas vão para o campo apanhar a espiga e outras flores campestres. Com elas, formam um ramo com: espigas de trigo, folhagem de oliveira, malmequeres e papoilas. O ramo pode também incluir centeio, cevada, aveia, margaridas, pampilhos, etc.

O ramalhete da espiga não tem uma composição fixa, variando muito de região para região e até de terra para outra terra. No entanto, há mais alguns elementos que surgem quase sempre e que encerram uma simbologia especial.

Em terras de Alenquer, era tradicional colher-se um ramo de espigas de trigo (sempre em número ímpar), um pequeno tronco de oliveira, papoilas, margaridas e varas de videira. Este ramo era depois colocado atrás da porta de casa, para que nela houvesse pão, azeite, dinheiro e alegria durante todo o ano.

Em vários locais do Ribatejo colhem-se habitualmente três espigas de trigo (e/ou cevada e/ou centeio), três malmequeres amarelos (brancos) e três papoilas, mais um raminho de oliveira em flor, um esgalho de videira com o cacho em formação e um pé de alecrim ou de rosmaninho florido).

As espigas querem dizer fartura de pão; os malmequeres, riqueza; as papoilas, amor e vida; a oliveira, azeite e paz; a videira, vinho e alegria; o alecrim ou o rosmaninho, saúde e força. Guardado em casa, o rosmaninho da espiga não deve ser perturbado na sua quietude, sendo substituido apenas no ano seguinte por outro igual mas mais viçoso.

O ramo é guardado ao longo de um ano, até ao Dia de Espiga do ano seguinte, pendurado algures dentro de casa.

Acredita-se que este costume, que surge mais no centro e sul de Portugal, nasceu de um antigo ritual cristão, que era uma bênção aos primeiros frutos.

No entanto, por ter tanta ligação com a Natureza, pensa-se que vem bem mais de trás no tempo, talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e às quais se mantém ligada à tradição dos Maios e das Maias.

A tradição mantem-se em nossa casa e, como costume, fomos apanhar o Ramo da Espiga.
Não pode faltar as papoilas, espigas, ramo de oliveira e malmequeres (e todas as outras flores colhidas pelo caminho).
Depois é seco e guardado até ao ano seguinte.
Na casa antiga a porta de entrada era em madeira, por isso, era seco e pendurado no prego atrás da porta, onde também estava uma velha ferradura (para dar sorte!). Como a casa actualmente é nova e a porta é em metal, é guardado na dispensa... Coisas do progresso...
Uma tradição muito viva e religiosamente cumprida.
Para o ano há mais!